Teces-me a proeza tal a seda à aranha É noutro que noto a subversão do fracasso Porque neutro o trono que me assenta De tão alto parco o reinado Distante, distante Quase essa solidão
Escrito por Rodrigo Arruda às 01h01
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Há algo de belo Em manter o segredo do verso Para si. Como a primavera imaginada Antes de visto o róseo campo. Tal as pétalas quedas do outono Quanto mais velho o espectro do rosto. Também ser só para mim Essa imagem crua e bela e irretocável.
Escrito por Rodrigo Arruda às 23h04
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Rio de Nascimento Veio a ser brasileiro Antes mesmo do país sê-lo: “Adeus França, Me declaro São Sebastião do Rio de Janeiro” Terra Desejada desde o descobrimento Terra Encoberta de ricos desejos Terra de terra Adormecida Nossa lenda sebastianista. Estado que nos fez nação Numa madrogada em névoa Fim à servidão Um treze de maio Um quinze de novembro Berço também da Bossa Terra do Flamengo Lá perdemos a Copa Que a seu pai prometeria Pelé Oito anos depois, campeões! Cidade Maravilhosa De Neto Coelho Príncipe da Prosa Cidade Maravilhosa Hino de um Filho Coração do Brasil De António Carlos Jobim Terra mais linda Rima Infinda, sílaba de mim Brasileiro. Poesia selecionada do Prêmio Augusto dos Anjos
Escrito por Rodrigo Arruda às 23h04
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Mesquinho pelo cansaço Ribombo esse dia ríspido Quase um verso vago e vão e fácil Necessário, sim o é Sendo mesmo estúpido Sendo mesmo árduo Que o suar, já mísero, O sangue, já áspero, Sem misericórdia surram o verbo. A sílaba, entretanto, Só a mim que seja, Será.
Escrito por Rodrigo Arruda às 22h40
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Esse cansaço que me traga o passo Esse silêncio que dolorosamente me aquieta Farei por vencê-lo Erguer-me-ei ante ele Debruçado sobre mim.
Escrito por Rodrigo Arruda às 23h08
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Células moribundas Coaxam sua exaustão Insano réquiem Esse sopro mudo Que me zune o ouvido Mas! Ainda não me detém o passo
Escrito por Rodrigo Arruda às 15h14
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O verso não se me permite Desvencilha-se Dessa ilha que me cerca É alheia a sílaba Esculpida de outrem Que ma roubaram Antes mesmo do silêncio Já está dito O que vejo Minha sombra é releitura
Escrito por Rodrigo Arruda às 23h28
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Um verso me encerra o dia Como os galos do João a manhã Um verso surrado Mastigado em suor Sacrifício que me põe a mesa, Esse que me esgota à sílaba Mas não mais o silêncio Cerrado em mim.
Escrito por Rodrigo Arruda às 23h38
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Perder-me nesse exercício doce escravo de ser letra
E ser de repente vasto ainda que não me sinta
Ou sentir-mo ainda que não seja!
Talvez melhor ainda.
Escrito por Rodrigo Arruda às 11h47
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O verso quieto me ensurdece
Transcrevo-o então...
Já não sou mais escravo
De um silêncio zelosamente esculpido
Escrito por Rodrigo Arruda às 11h43
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Exato tal um algarismo,
Perdido qual uma vogal solo,
Jamais entretanto uma tônica suficiente.
Escrito por Rodrigo Arruda às 11h42
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Tua pressa
É um desfile
Quanto charme e elegância
Em tua dedicação
Um sorriso coroando a passagem,
Um olhar belo tal pérolas.
Em tua sombra sobram versos.
Escrito por Rodrigo Arruda às 22h22
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Eras linda já pequena:
Um sorriso levemente meu
Leve porque antes teu,
meu enquanto lembrança
(perdoa-me o verso se não te agrada,
ver-te é mais denso)
Olhos silenciosos e furtivos,
Uma face banhada em ouro
(algum sol no retrato
ou o brilho onírico da fantasia?)
A estrela de ti mesma porventura?
Quiçá algum gesto gracioso
Dos teus
Quanto segredo em um instante…
Dize, sempre brincaste de saudade?
Coisas minhas, coisas minhas…
Enfim…
Criança, já princesa,
Esculpias versos.
Escrito por Rodrigo Arruda às 01h13
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Tu, no palco,
Desfilas tal um sonho
Linda, onírica, eterna
O mundo é teu.
Quão vivas tuas emoções:
Os disfarces que as compõe
Tu os vestes tão fácil.
Humana. Urbana. Ecoante.
A fantasia renasce em teu corpo
Autenticamente
Realidades.
Escrito por Rodrigo Arruda às 23h41
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O conhecimento enobrece a condição humana.
Eu sei que nada sei
De brilhante
Eu sei que nada sei
De uma maneira mais rude
E cruel
E covarde!
Na realidade, eu não sei
Que nada sei.
Escrito por Rodrigo Arruda às 23h09
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